Levei 8 anos para aprender o que vou te passar agora em apenas três minutos

“Atravessar o deserto não é sobre resistência. É sobre lembrar que você é a fonte que sacia a sede.”

Durante anos, minha mente foi um campo de batalha entre o que me disseram que era verdade e o que minha intuição sussurrava em silêncio. Cresci acreditando que a vida era uma espera por algo externo: a salvação, o sucesso, o reconhecimento. Tudo fora. Tudo distante. Tudo condicionado a um “quando”.

Demorei oito anos para perceber que eu era o ponto de origem. Que tudo parte de mim. E tudo retorna para mim. Aprendi isso não com gurus, nem em templos. Aprendi em silêncio. Meditando. Falhando. Me despedaçando e, enfim, me lembrando.

Este texto é um convite. Não é um manual nem uma receita. É uma rota de voo. Pode te levar para lugares que você já conhece, mas esqueceu. Pode acender algo que você já sente, mas nunca nomeou. Se permitir, ele pode ser a fagulha de um retorno.

Não peço que você acredite em mim. Peço que você se lembre de você.

1. Não existe o outro

“Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar à compreensão de nós mesmos.” — Carl Jung

Demorei anos para aceitar essa ideia que parecia absurda: não existe o outro. A primeira vez que ouvi isso, minha mente cristã condicionada gritou. Como assim? E as pessoas que me machucaram? E as injustiças? E os erros que eu não cometi?

Mas quanto mais meditava, mais percebia que tudo o que me incomoda no outro revela algo em mim. Seja um trauma, um medo, uma parte não aceita. A vida apenas me devolve o que precisa ser curado. Como disse Marco Aurélio: “Se você está sofrendo com as coisas externas, não são elas que o perturbam, mas o seu próprio julgamento sobre elas. E está em seu poder eliminar esse julgamento agora.”

Tudo que você encontra é espelho. O mundo não se opõe a você. Ele te mostra.

2. Tudo está entrelaçado

“Separar-se é perder-se. Unir-se é lembrar-se.” — Lao Tsé

A ilusação da separação é talvez o maior veneno da humanidade. Desde cedo somos treinados para ver muros: entre eu e o outro, entre o sagrado e o profano, entre a matéria e o espírito. Mas tudo está conectado. Tudo é emaranhado.

O que você sente afeta o todo. O que você pensa gera ondas. Você não é uma ilha. Você é um universo em frequência.

3. Karma não é punição

“O universo não castiga. Ele responde.” — Deepak Chopra

Fui ensinado que karma era uma espécie de dívida cármica. Algo que eu precisava pagar. Mas isso é apenas o cristianismo vestido de hinduísmo. Karma é retorno. Não porque o universo quer te punir, mas porque ele te devolve o que você vibra.

Como disse Nietzsche: “Torna-te quem tu és.” A vida devolve sua vibração. O karma é o eco do que você é.

4. A Lei da Crença: você cria com aquilo que acredita

“Tudo é mental” — Hermetismo

Nada rege mais o universo do que a crença. Aquilo que você acredita com força suficiente se torna real. E não é porque você é ingênuo. É porque você é poderoso. A realidade externa é uma impressão holográfica da sua convicção interna.

Quem acredita ser abençoado, vive como tal. Quem acredita que será punido, encontrará meios de se punir.

5. A Matrix é um script mental

“Você tem poder sobre sua mente – não sobre eventos externos. Perceba isso e você encontrará sua força.” — Marco Aurélio

Demorei para entender que a Matrix não é um sistema externo conspiratório. Ela é uma programação mental. Um conjunto de crenças, dogmas, padrões que foram instalados em nós desde a infância. Romper com a Matrix é sair do piloto automático e assumir a autoria do seu script.

Quem escreve seu roteiro? Você? Ou os que vieram antes?

Não se trata de um filme. Tampouco de uma teoria da conspiração.

Trata-se de algo infinitamente mais sutil e mais eficaz: um enredo invisível rodando dentro da sua mente, moldando cada decisão sua, antes mesmo que você perceba.

A Matrix não está “lá fora”.

Ela está no filtro com o qual você interpreta tudo o que vê.

Está na forma como você dá significado às experiências.

Está na sua incapacidade de ver o mundo sem as lentes do que te ensinaram a acreditar.

Você acha que pensa.

Mas na verdade, repete.

Repete comandos.

Repete conclusões herdadas.

Repete ideias que nunca foram suas.

A Matrix é a programação psíquica coletiva que dita:

— o que é possível e o que não é

— o que é certo e o que é errado

— quem é “vencedor” e quem “fracassou”

— o que é feio, o que é belo, o que é aceitável

— o que você pode desejar, sonhar, tocar

— e o que você “jamais terá”

E, então, a vida se torna isso: uma atuação inconsciente dentro de um script que você não escreveu.

Mas aqui está a chave:

você pode reescrever esse script.

O primeiro passo?

Parar. Observar. Reconhecer.

Ver os pensamentos não como verdades absolutas, mas como linhas de código mental.

Questionar:

— Quem me ensinou isso?

— Isso serve à minha alma ou apenas à manutenção da ordem que me disseram ser real?

A Matrix não se sustenta quando a consciência desperta.

Porque ela precisa da sua crença.

Precisa que você aceite o script como verdade — sem interrogação, sem reflexão.

Mas quando você começa a operar fora do campo da programação, algo acontece:

a realidade começa a responder a uma nova vibração.

As barreiras somem. Os limites evaporam.

Porque os muros que te cercavam eram apenas… mentais.

A Matrix é real — até que você perceba que é você quem a está sonhando.

E ao despertar, você não apenas sai do sonho.

Você torna-se o sonhador consciente.

Você escreve. Você dirige. Você vive.

A pergunta que fica não é “como sair da Matrix”, mas:

— você tem coragem de reescrever o mundo inteiro começando pela sua mente?

6. O poder da palavra

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” — João 1:1

Demorei para compreender que cada palavra que eu digo é uma semente. Que cada frase que repito sobre mim mesmo molda silenciosamente a minha realidade. As palavras criam formas. Elas são moldes energéticos que se densificam com o tempo.

Quantas vezes você disse: “Eu sou um desastre”, “Eu não consigo”, “Ninguém me ama”? Cada uma dessas frases é uma ordem que você dá ao universo. A palavra não descreve. Ela cria.

Pense bem: o que você tem dito sobre si mesmo? Como você se trata nas suas conversas internas? Se você se cobra demais, se se critica com rigidez, você está gerando um campo que te sabota em silêncio.

A palavra tem o poder de erguer catedrais ou cavar abismos. Use-a como um feitiço de cura, não de autossabotagem.

7. A morte é apenas um relembrar

 

Você não morre. Você apenas se recorda daquilo que sempre foi: consciência pura, infinita e indestrutível.

O que chamamos de morte é a maior ficção da Matrix. A morte é uma ideia. Um conceito implantado para nos manter com medo. Quando compreendi que a consciência não morre, mas apenas retorna à fonte, um peso caiu do meu peito.

Não vamos para lugar algum. Nós lembramos quem somos. A morte é o fim da hipnose. A meditação profunda me mostrou que posso morrer em vida. Desapegar do ego, da identidade, da narrativa. E viver mais leve. Sem medo do fim.

O Eu Sou é eterno. O corpo é apenas uma veste. Quando ela cai, o dançarino permanece.

E por fim…

Levei 8 anos para reunir essas verdades. Mas você pode acessá-las agora. Não porque sou mestre. Mas porque sou reflexo. Porque talvez você, como eu, esteja pronto para relembrar. E como dizia Nietzsche:

“Perdido seja o dia em que não se dançou nenhuma vez.”

Então dance com essas ideias. Brinque com elas. Sinta-as. E veja o que ressoa em você. A verdade nunca chega gritando. Ela chega como um sussurro.

E talvez esse texto seja apenas isso: um sussurro de você para você mesmo.

Wanderson Dutch

Wanderson Dutch

Wanderson Dutch é escritor, dancarino, produtor de conteúdo digital desde 2015, formado em Letras pela Faculdade Capixaba do Espírito Santo (Multivix 2011-2014) e pós-graduado pela Faculdade União Cultural do estado de São Paulo (2015-2016).
Vasta experiência internacional, já morou em Dublin(Irlanda), Portugal, é um espírito livre, já visitou mais de 15 países da Europa e atualmente mora em São Paulo.
É coautor no livro: Versões do Perdão, autor do livro O Diário de Ayron e também de Breves Reflexões para não Desistir da Vida.

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