Bom, aqui estamos mais uma vez falando o óbvio.
Mulheres no Centro do Poder, okay,
Falar sobre mulheres no centro do poder no Brasil é, inevitavelmente, enfrentar uma estrutura histórica marcada por desigualdades profundas de raça, gênero e classe. Quando esse debate é direcionado às mulheres negras, a análise se torna ainda mais urgente, pois ele revela camadas de exclusão que foram sendo construídas ao longo de séculos e ainda permanecem presentes nos espaços de decisão política, econômica e institucional.
A ausência de mulheres negras em posições centrais de poder não é um acaso. Ela está diretamente ligada à herança da escravidão, que estruturou o Brasil como uma sociedade hierarquizada racialmente. Após a abolição da escravatura em 1888, milhões de pessoas negras foram libertas formalmente, mas não foram incorporadas de maneira digna à cidadania plena. Sem acesso à terra, à educação e a políticas de integração, grande parte da população negra foi empurrada para as margens sociais, um processo que impacta gerações até hoje.
Essa exclusão histórica se reflete na política contemporânea, que por muito tempo foi dominada majoritariamente por homens brancos. Mesmo com avanços importantes nas últimas décadas, a presença de mulheres negras em espaços decisivos ainda é limitada, o que influencia diretamente a formulação de políticas públicas. Quando determinados grupos não ocupam esses lugares, suas experiências e demandas tendem a ser invisibilizadas ou tratadas como secundárias.
Eu não poderia deixar de falar aqui, que
o coletivo Frente Negra Online, liderado por Ruth Lopes, tem desempenhado um papel relevante ao promover debates e ações voltadas à valorização da presença de pessoas negras, especialmente mulheres negras, nos espaços de poder. Essas iniciativas buscam não apenas denunciar desigualdades, mas também construir novas narrativas de participação política.
Entre as ações recentes desse campo de mobilização, estão eventos realizados no Aristocrata Clube, onde foram promovidos encontros e debates sobre a importância da representatividade feminina negra na política institucional. Em uma dessas ocasiões, a presença da ministra e liderança política Marina Silva foi destacada como parte das discussões sobre o fortalecimento da participação das mulheres no centro das decisões políticas. Marina Silva também tem sido mencionada em debates públicos como possível nome em disputas eleitorais futuras, o que reforça sua relevância no cenário político nacional.
Não estou falando aqui apenas de ampliar números ou estatísticas de representatividade, mas de transformar a própria estrutura de poder. Colocar mulheres negras no centro das decisões significa reconfigurar prioridades, valores e perspectivas dentro das instituições.
Assim, pensar em “mulheres no centro do poder” é também reconhecer que a democracia brasileira ainda está em construção. E essa construção passa necessariamente pela inclusão plena das mulheres negras, cuja participação não deve ser exceção, mas parte estruturante de qualquer projeto político que se pretenda verdadeiramente democrático e plural.