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Esta é a lição que eu tiro de todos os funerais que eu fui

AI Brain

A morte é algo que sempre estamos evitando falar, não é mesmo? As culturas ocidentais nos enfiaram tantas mentiras goela abaixo que crescemos como seres humanos medrosos, acreditando que estamos separados do todo, que estamos sozinhos, ou de que Deus é um idoso de barba branca vigiando a todo tempo os nossos passos e controlando as nossas vidas. Nós temos tantas falsas crenças, puts!

Li em uma página pan-africanista no Facebook, chamada Sagrado Feminino e Sagrado Masculino, sobre as lições valiosas que podemos aprender ao visitar muitos funerais. Uma das principais lições que aprendi é: viva de forma que, ao partir, não deixe pendências. Entregue-se completamente a tudo o que faz. Enfrente os desafios da vida sem arrependimentos, desculpas ou pensamentos do tipo “e se”, “pudesse” ou “deveria”.

É uma situação tão alegre ir a uma cerimônia de uma família que compreende a vida para além da materialidade, é incrível ida para casa e testemunhar uma pessoa que deu tudo o que tinha. Não há lágrimas. Sem dor. Sem tristeza. Apenas amor e respeito por uma vida bem vivida.

Sim… morra esvaziado…

O maior erro que cometemos na vida é pensar que temos tempo. Esteja presente. Seja gentil. Ame mais. Ame agora. Viva agora.

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Em África, a vida não termina com a morte; ela continua em um plano espiritual. Os conceitos de vida e morte não são mutuamente exclusivos e não há uma linha clara que os separe. Em vez disso, a passagem para o além é celebrada da melhor forma possível.

Durante essas cerimônias, a saudade pelos ancestrais é externada através das cores vibrantes nas vestes e é manifestada por meio de danças e cânticos específicos. Para essas culturas, a “dor da saudade” não supera a importância de um ancestral evoluído. Morrer é visto como uma forma de evolução espiritual, um avanço para um estado mais elevado de existência. Portanto, em vez de lamento, há uma celebração que honra e reconhece a contribuição significativa e o legado do ancestral.
Morte em Africa

Carregar fardos e bagagens alheias, seja dos nossos erros do passado ou de familiares, é uma carga pesada e desnecessária que nos impede de viver plenamente. Quantas vezes nos pegamos revivendo erros antigos, remoendo situações que já passaram e que não podem ser mudadas? Ou nos deixamos abater pelas expectativas e demandas dos outros, esquecendo de nossas próprias necessidades e sonhos?

Viver uma vida plena significa libertar-se dessas amarras. Aprender com o passado, mas não deixar que ele defina quem somos hoje. Perdoar a nós mesmos pelos erros cometidos e permitir que as cicatrizes se transformem em marcas de sabedoria e crescimento.

Da mesma forma, não podemos permitir que as expectativas e os problemas dos outros se tornem nossos fardos. É importante ser solidário e apoiar aqueles que amamos, mas isso não significa carregar seus pesos como se fossem nossos. Cada um tem sua própria jornada, e é crucial respeitar os limites entre ajudar e assumir responsabilidades que não nos pertencem.

Ao esvaziar-se dessas cargas, encontramos a verdadeira liberdade para viver de forma autêntica e significativa. Podemos nos dedicar ao presente com toda a nossa energia, sem as sombras do passado ou as pressões externas nos sufocando. Podemos amar de forma mais pura, trabalhar com mais paixão e nos arriscar sem medo de arrependimentos futuros.

Liberte-se. Deixe para trás o que não serve mais e viva de forma plena. Morra esvaziado, não de oportunidades perdidas ou de sonhos não realizados, mas de uma vida vivida ao máximo, com o coração cheio de amor, gratidão e satisfação.

Wanderson Dutch

Wanderson Dutch
Wanderson Dutch

Wanderson Dutch é escritor, dancarino, produtor de conteúdo digital desde 2015, formado em Letras pela Faculdade Capixaba do Espírito Santo (Multivix 2011-2014) e pós-graduado pela Faculdade União Cultural do estado de São Paulo (2015-2016). Vasta experiência internacional, já morou em Dublin(Irlanda), Portugal, é um espírito livre, já visitou mais de 15 países da Europa e atualmente mora em São Paulo. É coautor no livro: Versões do Perdão, autor do livro O Diário de Ayron e também de Breves Reflexões para não Desistir da Vida.

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