O bolsonarismo está desmoronando faz tempo, e felizmente, por mais que nossa justiça seja ainda muito lenta, nós veremos cair um por um…
Eduardo “bananinha”, como muitos chamam na internet, se f*deu dessa vez.
E não foi por perseguição, censura, complô internacional ou qualquer uma dessas desculpas que esse grupo adora inventar quando a realidade bate na porta. Foi por algo bem mais prosaico e constrangedor: descumprimento de regras básicas. Faltas demais, desleixo institucional, desprezo pelo próprio mandato. A cassação não veio por “opinião”, veio por ausência. Ausência de compromisso, ausência de responsabilidade, ausência de noção de que cargo público não é herança de família nem brinquedo de militância.
Aí acontece o que é quase poético na sua ironia: depois de anos posando de grande líder, deputado internacional, embaixador informal do extremismo tropical, Eduardo volta… para a escrivaninha da Polícia Federal. Nada contra ser escrivão, função séria e importante. O problema é o contraste. O sujeito que se vendia como estadista global acaba sendo chamado de volta ao ponto de partida, como quem escuta do sistema: “acabou a fantasia, volta pro mundo real”.
Isso escancara algo fundamental sobre o bolsonarismo. Ele sempre viveu mais de performance do que de política. Mais de palco do que de trabalho. Mais de discurso do que de entrega. O resultado é esse. Quando o palco some, sobra o vazio. E quando o vazio aparece, fica impossível sustentar a narrativa de grandeza que nunca se materializou em projeto de país, em política pública, em melhoria concreta de vida para alguém além do próprio grupo.
O retorno compulsório de Eduardo ao cargo técnico é simbólico porque desmonta o mito. Mostra que por trás da retórica agressiva, da pose de macho alfa ideológico e da arrogância constante, há uma fragilidade enorme. Uma dependência absoluta do poder. Sem cargo, sem holofote, sem microfone, essa gente simplesmente murcha.
E isso não é só sobre Eduardo. É sobre todo um movimento que se construiu no grito, na ameaça, no ataque, no ressentimento e na mentira como método. Um movimento que não sabe governar, só sabe tensionar. Não sabe construir, só sabe destruir. Não sabe cuidar, só sabe apontar inimigos.
Quando a institucionalidade reage, mesmo lentamente, esse castelo de cartas começa a cair. Não porque alguém é genial, mas porque a própria incoerência interna do bolsonarismo o implode. Eles se alimentam do caos, mas são incapazes de sobreviver fora dele. Precisam de conflito permanente para existir. Precisam de crise para se justificar. Precisam de guerra simbólica para não encarar o próprio vazio.
Por isso a imagem de Eduardo voltando, meio constrangido, ao cargo técnico é tão poderosa. Ela diz muito mais do que mil discursos. Ela mostra que o bolsonarismo não construiu nada sólido. Construiu barulho. E barulho, quando acaba, vira silêncio.
O que estamos vendo agora não é só uma queda individual. É o esvaziamento de uma farsa política que se sustentava na intimidação, no fanatismo e na mentira. E quando isso cai, não sobra épico, não sobra herói, não sobra mito. Sobra só um sujeito comum, devolvido à própria pequenez, obrigado a encarar aquilo que sempre tentou fugir: a realidade.