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O motivo oculto dos narizes quebrados nas estátuas egípcias

AI Brain

Os narizes quebrados em muitas estátuas egípcias 🗿 não são apenas resultado do desgaste natural ao longo do tempo; eles são frequentemente consequência de desfiguração deliberada. No antigo Egito, acreditava-se que as estátuas abrigavam a força vital 🌬️ dos seres que representavam. Ao quebrar o nariz, que era considerado uma parte vital da figura para respirar e para a vida, as estátuas eram “mortas” ou tornadas impotentes.

Esse ato era tipicamente realizado por inimigos, invasores ⚔️ ou pessoas que buscavam diminuir o poder da figura representada, garantindo que o espírito não pudesse mais habitar a estátua ou exercer influência.

Por várias décadas, um mistério intrigou especialistas e entusiastas do Antigo Egito, uma das civilizações mais antigas e duradouras do mundo. À primeira vista, o desgaste de qualquer obra ao longo de milhares de anos parece inevitável. No entanto, o que chama a atenção é a frequência com que as estátuas têm apenas os narizes quebrados.

Esse fenômeno deu origem a várias suposições, incluindo a polêmica hipótese, ainda recorrente apesar de bastante refutada, de que os colonialistas europeus tentaram apagar as raízes africanas dos antigos egípcios. Especialistas afirmam que essa teoria é infundada, entre outras razões porque os narizes não são a única evidência física dessas origens. Eles concordam que, apesar dos muitos horrores do imperialismo, este não seria um deles.

Quando o pai de Tutancâmon, Akhenaton, que governou entre 1353-1336 a.C, quis que a religião egípcia girasse em torno de um deus, Aton, uma divindade solar, ele enfrentou um ser poderoso: o deus Amon.

Sua arma foi a destruição de imagens de Amon.

A situação foi revertida quando Akhenaton morreu e o povo egípcio retomou o culto tradicional a Amon: a onda de destruição dessa vez foi voltada para templos e monumentos em homenagem a Aton e o falecido faraó.

Mas é bom lembrar que não eram apenas os deuses que podiam habitar as imagens, mas também os humanos que tinham morrido e, após a longa e tortuosa jornada até o Salão da Dupla Verdade, demonstrado sua decência no Julgamento da alma, convertendo-se em seres divinos.

Saber que seus ancestrais continuam a acompanhá-lo apesar da morte pode ser reconfortante… mas também preocupante, principalmente se você for alguém poderoso e não quiser que o passado o ofusque.

E as lutas pelo poder costumam deixar marcas.

Quando Tutemés III, que governou de 1479 a 1425 a.C, quis ter certeza de que seu filho o sucederia, ele tentou apagar sua antecessora e madrasta Hatshepsut da história, destruindo a evidência física de sua existência. E ele quase conseguiu.

foto, Tutancâmon com a coroa azul (sem nariz), século 14 aC. Tutancâmon reinou entre 1333 e 1323 a.C. e ele era um faraó da 18ª Dinastia do Antigo Egito.

Eu já postei outro dia um vídeo de uma história explicando os mais variados motivos que levaram os escravocratas a quebrarem os narizes das estátuas. A prática de danificar propositadamente as estátuas egípcias, especialmente quebrando os narizes, vai além do simples vandalismo e reflete uma tentativa calculada de apagar o legado africano.

Os escravocratas brancos, ao invadir e colonizar territórios africanos, não apenas exploraram os recursos e submeteram as populações locais, mas também buscaram desmantelar as evidências de civilizações africanas avançadas e suas contribuições para a humanidade. O egípcio, com sua rica história e monumentos impressionantes, representava um lembrete inegável das realizações dos povos africanos. Para os colonizadores, apagar essas evidências era uma forma de reforçar a narrativa de superioridade racial e justificar sua dominação.

No antigo Egito, acreditava-se que as estátuas continham a força vital dos seres representados. O nariz, sendo uma parte crucial para a respiração e, portanto, para a vida, era visto como um ponto central de energia. Ao quebrar o nariz das estátuas, os escravocratas buscavam não apenas desfigurar essas representações, mas também tentar “matar” simbolicamente a força e a influência dos antigos egípcios. Esse ato de destruição tinha um impacto profundo, pois pretendia reduzir o poder simbólico e espiritual das estátuas e, por consequência, dos povos e culturas que elas representavam.

Além disso, essa prática servia para desmoralizar e deslegitimar o legado africano, reforçando uma visão eurocêntrica que desvalorizava as contribuições africanas para a civilização global. Ao remover ou destruir características essenciais das estátuas, os colonizadores tentavam minar o respeito e a admiração que essas figuras poderiam gerar, substituindo-as por um vazio que apoiava sua própria narrativa colonial.

Assim, a destruição deliberada dos narizes das estátuas egípcias não foi apenas um ato de vandalismo; foi uma estratégia deliberada para apagar a história e o prestígio de uma civilização africana, reforçando o controle colonial e a narrativa de superioridade racial.

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Wanderson Dutch
Wanderson Dutch

Wanderson Dutch é escritor, dancarino, produtor de conteúdo digital desde 2015, formado em Letras pela Faculdade Capixaba do Espírito Santo (Multivix 2011-2014) e pós-graduado pela Faculdade União Cultural do estado de São Paulo (2015-2016). Vasta experiência internacional, já morou em Dublin(Irlanda), Portugal, é um espírito livre, já visitou mais de 15 países da Europa e atualmente mora em São Paulo. É coautor no livro: Versões do Perdão, autor do livro O Diário de Ayron e também de Breves Reflexões para não Desistir da Vida.

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