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O imperialismo não está do seu lado. Ao aplaudir a ruína do vizinho, você apoia a sua própria destruição.

AI Brain

O imperialismo não está do seu lado. Ao aplaudir a ruína do vizinho, você apoia a sua própria destruição.

Bom, gente, e lá vamos nós pra mais um momento de grande tensão neste 2026. Um ano que mal começou e já veio com cheiro de pólvora, chantagem diplomática, teatro moral e velhas engrenagens funcionando a pleno vapor. Quando os Estados Unidos voltam a apontar seus canhões para mais um país do Sul global, especialmente para a Venezuela, o roteiro já está escrito há mais de um século. Muda o figurino, muda o presidente, muda o discurso, mas a estrutura permanece intacta. Como dizia Eduardo Galeano, a América Latina continua sendo uma região especializada em perder. E não porque lhe falte trabalho, inteligência ou riqueza, mas porque lhe sobra saque.

A palavra “guerra” aqui é quase um eufemismo elegante demais. Guerra pressupõe confronto entre forças minimamente equivalentes. O que existe, na prática, é imposição. É um império decidindo, sozinho, quem é legítimo, quem é tirano, quem merece existir em paz e quem precisa ser “corrigido”. A Venezuela entra nesse radar não por ser um problema moral, mas por ser um problema econômico. É um país riquíssimo em petróleo, minérios estratégicos, água, biodiversidade e posição geopolítica. O pecado da Venezuela não é ser autoritária. É ser rica fora do controle.

 

Sim, o governo Maduro é autoritário. Sim, há concentração de poder, perseguição política, restrições à imprensa e enfraquecimento institucional. Isso precisa ser dito sem rodeios. Mas fingir que o problema do mundo se resume a Nicolás Maduro é uma fantasia confortável para quem não quer enxergar a engrenagem maior. Existem regimes autoritários espalhados pelo planeta, inclusive aliados históricos dos Estados Unidos. A diferença não é ética, é estratégica. Alguns são tolerados porque obedecem. Outros são demonizados porque resistem.

A crítica seletiva é uma tecnologia de poder. Transforma tiranos em monstros quando convém e em “parceiros estratégicos” quando é útil. A moral vira ferramenta, não princípio. O que está em jogo nunca foi a democracia venezuelana. É quem controla o petróleo, as rotas, os mercados e os lucros.

E nesse cenário, quem sempre paga a conta são os mesmos. O povo trabalhador, as periferias, os povos racializados, as populações historicamente empurradas para a base da pirâmide. Malcolm X já alertava que não existe capitalismo sem racismo. Não como coincidência, mas como estrutura. A exploração econômica sempre precisou de uma hierarquia simbólica para se legitimar. Alguém precisa ser visto como descartável para que o sistema funcione sem culpa.

O povo preto, em especial, está sempre na linha de frente da violência e na última fila da promessa. Seja nas favelas do Brasil, nos guetos dos Estados Unidos, nos campos de refugiados, nas periferias da Venezuela ou nos bairros esquecidos do mundo, a lógica se repete. Primeiro se saqueia, depois se abandona, depois se culpa a própria população pela miséria produzida. E então aparece o discurso salvacionista, dizendo que agora é preciso intervir para consertar o caos que o próprio sistema criou.

Essa imagem que circula, com corpos sustentando a mesa enquanto uma elite joga sobre o mundo, é menos metáfora do que fotografia do real. O planeta virou um cassino. Os poderosos apostam com a vida dos outros. Quando ganham, chamam de crescimento. Quando perdem, chamam de crise. E a conta nunca chega para quem joga.

As eleições de 2026 entram nesse contexto como mais um capítulo delicado. Não só no Brasil, mas em vários lugares do mundo, cresce uma extrema-direita que combina ultraliberalismo econômico, autoritarismo político e fundamentalismo moral. Uma mistura tóxica que vende ódio como solução, medo como programa e repressão como ordem. Esse campo político se alimenta do caos que o próprio sistema produz. Quanto mais desigualdade, mais ressentimento. Quanto mais ressentimento, mais fácil vender inimigos imaginários no lugar de soluções reais.

Por isso, aplaudir a ruína do vizinho é uma armadilha. Quando você vibra com a queda da Venezuela, amanhã vibram com a sua. Quando você naturaliza a intervenção lá fora, ela vira política interna aqui dentro. O laboratório do autoritarismo começa longe, mas sempre volta para casa.

O desafio, então, não é escolher qual império você prefere. É recusar o império como lógica. É desmontar o teatro. É aprender a olhar para além do discurso bonito e enxergar quem ganha, quem perde, quem manda e quem sangra. Como Galeano escreveu, somos feitos de histórias, mas também somos feitos de escolhas. E escolher não ser cúmplice já é um gesto político potente.

Não existe neutralidade quando um império pisa sobre um povo. Ou você está do lado de quem apanha ou do lado de quem bate. E o imperialismo, pode ter certeza, nunca está do lado de quem apanha.

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Wanderson Dutch
Wanderson Dutch

Wanderson Dutch é escritor, dancarino, produtor de conteúdo digital desde 2015, formado em Letras pela Faculdade Capixaba do Espírito Santo (Multivix 2011-2014) e pós-graduado pela Faculdade União Cultural do estado de São Paulo (2015-2016). Vasta experiência internacional, já morou em Dublin(Irlanda), Portugal, é um espírito livre, já visitou mais de 15 países da Europa e atualmente mora em São Paulo. É coautor no livro: Versões do Perdão, autor do livro O Diário de Ayron e também de Breves Reflexões para não Desistir da Vida.

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