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O desafio de São Paulo não é encontrar candidatos. É acreditar neles.

AI Brain

Não sei quantas pessoas exatamente estão lendo este texto. Talvez você esteja no ônibus, no intervalo do trabalho, em casa, na fila de um banco ou simplesmente navegando pelo celular. O que eu sei é que, em tempos de vídeos curtos e atenção fragmentada, escolher dedicar alguns minutos à leitura já é um gesto de resistência. E eu agradeço por isso.

A inteligência artificial mudou profundamente a forma como produzimos e consumimos informação. Este texto, sim, passou por revisão gramatical com auxílio de IA. Mas as ideias, as reflexões e a responsabilidade sobre cada argumento são minhas. Escrevo porque acredito que a política também precisa ser pensada, debatida e analisada para além das manchetes e das torcidas organizadas.

Quero compartilhar uma reflexão sobre o cenário político de São Paulo. Quando uma disputa eleitoral começa, é comum surgir a sensação de que determinados adversários são invencíveis. Pesquisas aparecem, narrativas se consolidam e muita gente desiste antes mesmo da campanha ganhar as ruas.

Esse talvez seja o primeiro erro de qualquer projeto político.

Existe uma diferença enorme entre reconhecer a dificuldade de uma eleição e decretar a derrota antes da disputa acontecer. São coisas completamente diferentes. Uma análise realista identifica obstáculos. Um pensamento derrotista transforma obstáculos em destino.

Na política, assim como na vida, ninguém vence uma batalha que abandonou antes de lutar.

Independentemente da preferência partidária de cada eleitor, campanhas são construídas com organização, comunicação, presença territorial e capacidade de dialogar com a sociedade. Eleições são decididas por pessoas, e pessoas mudam de opinião. A história brasileira oferece inúmeros exemplos de cenários considerados improváveis que acabaram se concretizando.

Essa lógica também vale para as eleições proporcionais, que definirão a composição da Câmara dos Deputados.

É nesse contexto que considero importante apresentar nomes que talvez ainda não estejam no centro do debate público. Entre eles está Ruth Lopes, socióloga, militante do movimento negro há décadas e pré-candidata a deputada federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Sua trajetória está ligada à defesa dos direitos humanos, à educação e ao fortalecimento da participação política da população negra.

Independentemente da avaliação que cada leitor faça sobre seu projeto político, existe um dado que merece reflexão: mulheres negras continuam sendo uma das parcelas mais sub-representadas dos espaços de poder no Brasil. Apesar dos avanços recentes, elas ainda ocupam uma parcela pequena das cadeiras na Câmara dos Deputados em relação ao peso demográfico que possuem na sociedade brasileira. Em 2022, o país elegeu 91 deputadas federais, das quais 29 eram mulheres negras, um avanço em relação à legislatura anterior, mas ainda distante da representatividade populacional. 

Talvez o maior desafio de uma democracia seja justamente esse: transformar representação social em representação política.

Por isso insisto numa ideia simples. Não devemos olhar para desafios como sentenças definitivas. Devemos olhar para eles como convites ao trabalho, à estratégia e à persistência. Se uma campanha acredita que já perdeu, ela dificilmente mobilizará pessoas suficientes para mudar qualquer realidade. Mas quando acredita na própria capacidade de construir caminhos, amplia as possibilidades de convencer, dialogar e crescer.

É assim na política, no trabalho, nos estudos e na vida.

Nenhuma eleição é vencida apenas pela força do adversário. Muitas vezes ela é perdida pela desistência antecipada de quem poderia ter construído uma alternativa.

Enquanto houver disposição para conversar, organizar pessoas e apresentar ideias, nenhuma disputa estará encerrada antes da vontade soberana das urnas.

Wanderson Dutch
Wanderson Dutch

Wanderson Dutch é escritor, dancarino, produtor de conteúdo digital desde 2015, formado em Letras pela Faculdade Capixaba do Espírito Santo (Multivix 2011-2014) e pós-graduado pela Faculdade União Cultural do estado de São Paulo (2015-2016). Vasta experiência internacional, já morou em Dublin(Irlanda), Portugal, é um espírito livre, já visitou mais de 15 países da Europa e atualmente mora em São Paulo. É coautor no livro: Versões do Perdão, autor do livro O Diário de Ayron e também de Breves Reflexões para não Desistir da Vida.

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