O Brasil está à venda? O que o capitalismo e o trumpismo colocam em jogo nesta eleição
O Brasil se aproxima de uma decisão que ultrapassa os limites de uma disputa entre dois candidatos. O que está em jogo é também o papel do Estado, o destino das políticas sociais, a proteção ambiental e a posição do país diante de uma ordem internacional cada vez mais conflituosa.
De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva busca um novo mandato defendendo a continuidade de políticas de inclusão social, desenvolvimento econômico e fortalecimento das relações com o Sul Global. Do outro, Flávio Bolsonaro apresenta uma agenda conservadora, com propostas de redução do Estado e maior desregulamentação econômica. São projetos distintos, com consequências que precisam ser debatidas para além dos slogans eleitorais.
Quando o mercado vale mais do que as pessoas
O capitalismo contemporâneo concentra riqueza e poder em proporções que desafiam a própria ideia de democracia. Enquanto grandes grupos econômicos disputam influência sobre governos, milhões de trabalhadores enfrentam o custo de vida, a insegurança profissional e a dificuldade de transformar o próprio trabalho em qualidade de vida.
Minha crítica aqui não é à existência de empresas ou à atividade econômica. É a um sistema no qual a rentabilidade pode se sobrepor aos direitos sociais, à preservação ambiental e às necessidades coletivas. Quando a política passa a tratar a proteção social como obstáculo e a concentração de riqueza como sinal incontestável de sucesso, a desigualdade deixa de ser um efeito colateral e se transforma em problema estrutural.
O trumpismo e a disputa pelo futuro

O Brasil está sendo vendido a preço de banana.
A ascensão de Donald Trump nos Estados Unidos ajudou a consolidar uma direita internacional que combina nacionalismo, conservadorismo, desconfiança das instituições e ataques a adversários políticos. No Brasil, o bolsonarismo dialoga com parte dessa agenda.
Análises publicadas pela Foreign Policy in Focus e pela Common Dreams relacionam a disputa brasileira ao avanço de forças alinhadas à direita trumpista e às tensões entre poder econômico, democracia e proteção ambiental.
A dimensão internacional importa. O Brasil possui recursos naturais estratégicos, uma das maiores economias do continente e papel relevante nas negociações climáticas. As decisões de seu governo influenciam relações comerciais, alianças diplomáticas e a capacidade nacional de definir prioridades sem subordinação automática às grandes potências.
Democracia não pode ser apenas uma palavra
O governo Lula também está sujeito a críticas. Seus compromissos com a proteção ambiental, a redução das desigualdades e a ampliação dos direitos sociais precisam ser avaliados à luz de resultados concretos, inclusive diante das contradições entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
Mas é justamente por isso que o debate precisa ir além da propaganda. A democracia não se resume ao ato de votar: exige instituições respeitadas, liberdade de expressão, participação popular e condições materiais para que a população exerça seus direitos.
No próximo domingo, 25 de outubro, os brasileiros decidirão entre dois projetos presidenciais com diferenças relevantes na economia, na política externa e no papel do Estado.
A pergunta fundamental permanece: que país queremos construir? Um país em que o desenvolvimento seja medido principalmente pelos ganhos do mercado ou um país que também cobre de sua economia respostas concretas às necessidades da maioria?
O resultado definirá não apenas quem ocupará o Palácio do Planalto, mas também os limites e as possibilidades da disputa por um Brasil mais justo, soberano e democrático.