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Malafaia está completamente endemoniado, afirma a senadora Damares Alves.

AI Brain

fogo no parquinho, fogo no parquinho. Eu estou torcendo pela briga.

Bom, gente, a matéria de hoje é sobre o racha no bolsonarismo nas eleições de 2026 que nós estamos presenciando em tempo real, sem filtro, sem maquiagem e sem verniz religioso capaz de esconder o que sempre esteve ali. Um campo político construído na base do fanatismo, da mentira e do oportunismo agora começa a se devorar publicamente. E confesso, do ponto de vista analítico, é um espetáculo pedagógico.

De um lado, vemos Nicolas Chupetinha protagonizando caminhadas ridículas, performáticas, uma espécie de peregrinação fake vendida como sacrifício espiritual, mas desmascarada pela própria encenação. Caminha para as redes, não para lugar nenhum. É a política como teatro vazio, onde o corpo vira instrumento de marketing e a fé vira figurino. Não há projeto, não há proposta, só espetáculo. A extrema-direita precisa dessas cenas porque vive da emoção, não da razão.

Do outro lado, Silas Malafaia ataca frontalmente a candidatura de Flávio Bolsonaro. Aqui o problema não é ideológico no sentido profundo, é disputa de controle. Quem manda no rebanho? Quem decide o ungido? Quem capitaliza o medo, a raiva e o ressentimento? Flávio representa, para parte da direita, uma tentativa de institucionalização do bolsonarismo. Para a ala mais radical, isso é inaceitável. Sem caos, sem guerra cultural permanente, figuras como Malafaia perdem relevância.

É nesse ambiente que surge o episódio Damares. Silas chama Damares de linguaruda. Damares responde dizendo que ele está completamente endemoniado. E pronto, o vocabulário que sempre foi usado para atacar adversários políticos agora vira arma de ataque interno. O monstro começou a comer as próprias patas.

Mas é importante deixar algo muito claro. Eu nunca fui fã de Damares. Continuo não sendo. Não existe redenção automática porque, em determinado momento, ela resolve expor nomes de pastores envolvidos em investigações criminais. Damares está inserida num nicho que considero extremamente perigoso, o neopentecostalismo político brasileiro. Um campo que não opera a partir de valores democráticos, mas de controle moral, pânico social e manipulação da fé como instrumento de poder.

Mesmo quando parece agir de forma coerente, sigo com os dois pés atrás. Damares é amiga de André Valadão. Damares já voltou atrás publicamente para dizer que André Valadão é um cara sério, mesmo após falas gravíssimas que qualquer pessoa minimamente responsável não relativizaria. Isso diz muito. Não estamos falando de alguém que rompeu com esse sistema. Estamos falando de alguém que circula dentro dele e só tensiona quando o jogo interno muda.

O que está acontecendo agora não é um despertar ético coletivo. É sobrevivência política. Quando o bolsonarismo estava no auge, ninguém ali se incomodava com crimes, abusos ou absurdos. Agora que o poder escorre pelos dedos, surgem denúncias seletivas, moralismos tardios e discursos de “limpeza”. Não é coragem. É cálculo.

O neopentecostalismo político mostrou ao Brasil sua face mais perigosa nos últimos anos. Demonizou a política, atacou a ciência, sabotou o pensamento crítico e transformou púlpitos em cabos eleitorais. Alimentou uma lógica de guerra permanente, onde qualquer discordância vira ameaça espiritual. O resultado é esse. Um campo incapaz de lidar com divergência sem recorrer ao insulto, à demonização e ao espetáculo.

O racha no bolsonarismo em 2026 é menos uma crise pontual e mais a consequência natural de um projeto fundado no fanatismo. Sem um líder absoluto, sem um inimigo externo forte o suficiente, eles começam a se destruir por dentro. E não, isso não transforma automaticamente ninguém ali em herói ou referência ética.

fogo no parquinho, fogo no parquinho. Que briguem. Que se exponham. Que mostrem ao país o que sempre foram. Porque quanto mais essa engrenagem aparece sem maquiagem, mais evidente fica o perigo que ela representa.

Wanderson Dutch
Wanderson Dutch

Wanderson Dutch é escritor, dancarino, produtor de conteúdo digital desde 2015, formado em Letras pela Faculdade Capixaba do Espírito Santo (Multivix 2011-2014) e pós-graduado pela Faculdade União Cultural do estado de São Paulo (2015-2016). Vasta experiência internacional, já morou em Dublin(Irlanda), Portugal, é um espírito livre, já visitou mais de 15 países da Europa e atualmente mora em São Paulo. É coautor no livro: Versões do Perdão, autor do livro O Diário de Ayron e também de Breves Reflexões para não Desistir da Vida.

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