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Conheça a origem Africana do Carnaval

AI Brain

O Carnaval, frequentemente associado ao Brasil e às suas festividades grandiosas, tem raízes profundas que remontam às tradições africanas. Muito antes das avenidas iluminadas do Rio de Janeiro e dos blocos de rua em Salvador, a essência do Carnaval já existia nos ritmos, nas danças e nas celebrações de povos africanos.

Ele tem suas raízes na África Ocidental e em Angola e veio com o tráfico de escravizados no século XVII. Com a chegada forçada desses povos ao Brasil, suas tradições se misturaram com os costumes locais, incluindo os indígenas, gerando novas expressões culturais. O Carnaval brasileiro não é apenas uma adaptação de festividades europeias, mas, acima de tudo, um legado da diáspora africana, que reinventou essa celebração no país.

Na África, desfiles e danças eram usados como rituais para afastar maus espíritos e purificar o ambiente, tradições que foram preservadas no Carnaval brasileiro. A criação de máscaras e fantasias feitas de pedras, ossos, ervas e outros elementos naturais também era uma prática comum. O uso de penas, por exemplo, representava a ascensão e o renascimento dos espíritos, um simbolismo que permanece nos trajes carnavalescos até hoje.

Carnaval Rio 1930

O Samba e Sua Chegada ao Brasil

O samba, ritmo símbolo do Carnaval brasileiro, não é nativo do país. Suas origens remontam aos batuques da África Ocidental e de Angola, trazidos ao Brasil pelos africanos escravizados no século XVII. À medida que se misturavam com os habitantes locais, suas tradições musicais também passaram por transformações, dando origem ao samba como conhecemos hoje. Após a abolição da escravidão, muitos ex-escravizados migraram para o Rio de Janeiro, levando suas músicas e danças para locais como a Cidade Nova e a Praça Onze, que se tornaram berços do samba.

O Nascimento das Escolas de Samba

Na década de 1920, com o crescimento da popularidade do samba, grupos de passistas e músicos começaram a se reunir regularmente em escolas informais para aprimorar sua arte. Com o tempo, essas reuniões evoluíram para associações formais e, em 1932, aconteceu o primeiro desfile oficial das escolas de samba no Rio de Janeiro. O evento se tornou tão relevante que, para organizar melhor as competições, foi criada a Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro, que hoje é representada pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), responsável pelos desfiles oficiais do Carnaval carioca.

A Resistência e a Identidade Preta no Carnaval

A importância da ancestralidade africana no Carnaval também se manifesta nas escolas de samba e nos blocos afros. No Carnaval de Salvador, grupos como Ilê Aiyê, Olodum e Filhos de Gandhy resgatam essa memória ancestral, trazendo ritmos como o ijexá e o samba-reggae, que dialogam diretamente com os sons do continente africano. Essas manifestações artísticas não são apenas entretenimento, mas também um ato político e de reafirmação identitária.

O reconhecimento da origem africana do Carnaval vai além da história: é uma forma de valorizar a influência e a resistência do povo preto, que transformou a dor da diáspora em celebração, alegria e força coletiva. O Carnaval brasileiro, com toda sua diversidade, continua a ser um espelho da África pulsante que vive em cada tambor, cada passo de dança e cada canto de exaltação.

A importância da ancestralidade africana no Carnaval também se manifesta nas escolas de samba. Os desfiles, além de espetáculo, são rituais de afirmação cultural. As alas, as baterias e as fantasias carregam símbolos e narrativas que muitas vezes reverenciam orixás, reis e rainhas africanas, além de exaltar figuras históricas da resistência preta no Brasil.

No Carnaval de Salvador, os blocos afros como Ilê Aiyê, Olodum e Filhos de Gandhy resgatam essa memória ancestral, trazendo à tona ritmos como o ijexá e o samba-reggae, que dialogam diretamente com os sons do continente africano. Essas manifestações artísticas não são apenas entretenimento, mas um ato político e de reafirmação identitária.
Tudo começou na África. Absolutamente tudo. “Estamos aqui na Terra há pelo menos 350 mil anos com essa cara preta” – Dr. Filipe Vidal. Não seria diferente com o Carnaval, em especial com o Carnaval manifestado no Brasil.

Originalmente, o Carnaval do Rio acontecia em algumas das ruas mais antigas da cidade. Com o crescimento exponencial da festa, tornou-se necessária a construção de uma estrutura formal que comportasse a grandiosidade do evento. Para isso, o então governador do Rio de Janeiro encomendou um projeto ao renomado arquiteto Oscar Niemeyer. A obra foi concluída em apenas 110 dias, a tempo do Carnaval de 1984.

Popularmente conhecido como Sambódromo, o espaço é composto por arquibancadas de concreto dispostas ao longo de uma avenida de 700 metros, criando um verdadeiro corredor do samba. Além disso, conta com uma ampla praça de alimentação e áreas de concentração para as escolas de samba, permitindo que os desfiles sejam organizados de maneira impecável.

Hoje, o Carnaval do Brasil é um espetáculo de proporções monumentais, televisionado para o mundo inteiro e atraindo milhões de visitantes todos os anos. As apresentações são luxuosas, a infraestrutura é sofisticada e a festa segue como uma das maiores expressões culturais do país, mantendo vivas as raízes africanas que lhe deram origem.

Wanderson Dutch
Wanderson Dutch

Wanderson Dutch é escritor, dancarino, produtor de conteúdo digital desde 2015, formado em Letras pela Faculdade Capixaba do Espírito Santo (Multivix 2011-2014) e pós-graduado pela Faculdade União Cultural do estado de São Paulo (2015-2016). Vasta experiência internacional, já morou em Dublin(Irlanda), Portugal, é um espírito livre, já visitou mais de 15 países da Europa e atualmente mora em São Paulo. É coautor no livro: Versões do Perdão, autor do livro O Diário de Ayron e também de Breves Reflexões para não Desistir da Vida.

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