Bom, essa é mais uma daquelas histórias de excelência preta da diáspora africana! Embora vocês me vejam compartilhando diariamente aqui notícias e postagens que, por vezes, podem nos aterrorizar — como o post recente que fiz sobre Osvaldão —, vocês também sabem que compartilho com muita frequência notícias super positivas, reconhecendo o brilhantismo de mentes afro-geniais, seja do passado ou do presente.
E hoje, eu te convido a conhecer Matheus.
Ele tem 25 anos, mora em Feira de Santana (BA) e escreveu sua história com luz própria — literalmente. Foram oito anos prestando o ENEM, sendo os últimos quatro com um único objetivo: cursar Medicina. E ele conseguiu. Mesmo estudando sem energia elétrica, Matheus alcançou a marca impressionante de 980 na redação e conquistou uma vaga na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).
Durante a pandemia, sem poder contar com a biblioteca pública, uma amiga lhe emprestou uma casa simples para estudar. Lá, não havia internet, nem ventilador, nem luz. Mesmo assim, Matheus estudava seis horas por dia com apostilas e videoaulas no celular. À noite, era a chama de uma vela que iluminava os livros e acendia seus sonhos.
Filho de pais analfabetos e vindo de uma comunidade quilombola, Matheus já havia trancado um curso de Enfermagem. Em 2018, decidiu recomeçar. Deu aulas de reforço no bairro para comprar materiais e pagar plataformas online. Estudava de máscara, sozinho, simulando o dia da prova. Resultado: 980 na redação. Em 2021, virou calouro de Medicina na UFRB — o primeiro médico da família e da comunidade.
“Estou bastante honrado em poder fazer o curso que me permitirá transformar vidas. É um sonho se concretizando”, disse Matheus. Mas o que ele talvez ainda não saiba é que sua história também transforma quem a escuta.
Matheus não venceu apesar de tudo. Ele venceu por causa de tudo. Porque quem atravessa a escuridão com coragem e disciplina não apenas acende uma luz para si — acende um caminho para milhares. Ele é prova viva de que a excelência preta não é exceção: é regra, silenciada por um sistema que tenta desmobilizar a nossa genialidade.
“Você tem que acreditar nos seus sonhos, porque se você não acreditar, ninguém vai acreditar. Tem uma frase que sempre utilizo: a educação modifica vidas, assim como Jesus modifica o nosso interior. Focar, acreditar e ter fé, que em algum momento, a vitória vai chegar”, disse Matheus.
E nós acreditamos com ele.
A cada jovem preto que entra numa universidade, que desafia as estatísticas, que ocupa os espaços que sempre lhe foram negados, a história da diáspora ganha mais um capítulo de vitória. Porque sim, a história do povo preto importa. E quando ela é contada por nós, para nós, com a verdade que sempre nos foi roubada, ela não só importa — ela inspira, liberta e reconstrói.
Matheus acendeu uma vela dentro da noite. E com ela, incendiou o futuro.