Uma investigação da Polícia Federal (PF), no âmbito da chamada Operação Transparência, aponta a existência de um suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo emendas parlamentares que teria movimentado aproximadamente R$ 119,2 milhões entre junho de 2024 e março de 2026. Segundo a investigação, o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, teria exercido influência sobre a destinação desses recursos mesmo sem ocupar mandato eletivo.
Com base nos elementos reunidos até o momento, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o bloqueio de bens de Valdemar no valor correspondente ao montante investigado, além da suspensão dos pagamentos relacionados às emendas sob suspeita. A decisão foi divulgada nesta sexta-feira (10).
De acordo com a PF, a investigação teve como um de seus principais pontos de partida mensagens e áudios encontrados no celular de Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ex-assessora ligada ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Os investigadores afirmam que esse material revela a existência de uma estrutura informal utilizada para negociar, direcionar e acompanhar a execução de emendas parlamentares.
Segundo os autos, mesmo sem exercer função pública, Valdemar Costa Neto teria utilizado uma rede de assessores e intermediários para acompanhar a liberação de recursos, definir prioridades e negociar valores. A Polícia Federal afirma que mensagens apreendidas fazem referência a planilhas, cadastros e emendas identificadas como sendo “do Valdemar” ou “do VCN”, indicando, segundo os investigadores, um controle direto sobre parte dos recursos.
Entre as provas citadas na investigação estão diálogos atribuídos ao emissário Garigham Amarante. Em uma das conversas reproduzidas pelos investigadores, ele teria solicitado que fosse destinado “o máximo que der” em determinado repasse, acrescentando que Valdemar “está querendo Turismos”. Em outra mensagem, questiona se havia sido fechado “o valor do Pres Valdemar”. Para a PF, essas comunicações reforçam a hipótese de uma coordenação centralizada da distribuição dos recursos.
A investigação apura possíveis crimes como associação criminosa, desvio de finalidade e outras infrações relacionadas à administração de verbas públicas. Até o momento, trata-se de uma investigação em andamento, e os fatos ainda serão analisados pelo Poder Judiciário ao longo do processo. Os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório, conforme prevê a Constituição Federal.
O caso volta a colocar em evidência o debate sobre a fiscalização das emendas parlamentares, mecanismo legítimo de destinação de recursos públicos, mas que tem sido alvo de questionamentos por órgãos de controle diante da falta de transparência em parte de sua execução. O avanço das investigações deverá esclarecer a responsabilidade de cada envolvido e definir se os elementos reunidos pela Polícia Federal serão suficientes para eventual denúncia e posterior julgamento pela Justiça.