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A nova geração não vai ter casa, carro próprio e nem conseguirá construir patrimônio, aponta IBG

AI Brain

É isso mesmo que você leu! O IBGE, em suas crônicas estatísticas sobre a miséria e a sobrevivência no Brasil contemporâneo, desenha um mapa do desencanto. A afirmação de que a nova geração está, em grande medida, apartada do direito à propriedade e ao patrimônio não é uma profecia apocalíptica, mas a constatação técnica de um sistema que exauriu suas promessas de mobilidade social.
O que se observa é uma erosão do contrato social que sustentava o otimismo de décadas anteriores. A meritocracia, quando desprovida de condições reais de igualdade, torna-se uma ficção cruel. A juventude de hoje não enfrenta apenas a dificuldade de comprar um imóvel ou um veículo; enfrenta a desintegração do conceito de futuro. Enquanto o custo de vida nas metrópoles é inflado pela especulação imobiliária e pela financeirização da vida, a renda real do trabalho tornou-se um ente volátil, refém da precarização e da obsolescência rápida das funções profissionais.
Friedrich Nietzsche, em sua análise sobre o espírito humano, escreveu certa vez que quem tem um porquê viver aguenta quase todo como.

A nova geração é nova mesmo ou só é mais uma repetição do velho humano ignorante decaido?

A promessa de que trabalhar, poupar e, ao longo do tempo, conquistar casa própria, carro e estabilidade patrimonial deixou de ser uma linha razoavelmente previsível da vida adulta. Hoje, para uma parcela crescente da população jovem, esse roteiro parece ter sido substituído por outro mais instável, em que o esforço individual já não garante necessariamente ascensão material. O que antes era apresentado como trajetória padrão passou a ser uma exceção cada vez mais difícil de alcançar.

A impossibilidade de edificar um patrimônio não retira apenas bens materiais; retira a capacidade do indivíduo de projetar sua própria continuidade no tempo. Quando se vive apenas o presente imediato, o tempo deixa de ser um campo de possibilidades para se tornar um eterno círculo de manutenção do agora.
A crítica aqui não recai sobre o jovem, mas sobre a arquitetura que exige que ele seja um empreendedor de si mesmo em um terreno sem solo. Vivemos a era da servidão invisível, onde o acesso aos bens básicos foi substituído por uma vasta gama de assinaturas, aluguéis e serviços. O indivíduo deixa de ser proprietário para se tornar um usuário perene, pagando pedágios existenciais para existir dentro de um sistema que lucra com a sua impossibilidade de acumular segurança.
Refletir sobre esses dados é entender que o problema não é apenas econômico, mas ontológico. Uma geração que não possui nada, não porque não quer, mas porque o acesso lhe foi vedado por uma estrutura de acumulação concentrada, é uma geração que perde a âncora com a própria história. O patrimônio, longe de ser apenas ganância, representa a capacidade de dizer que se construiu um lugar no mundo. Se a realidade atual nega esse direito, ela nega o direito à autonomia.
A pergunta que permanece, pairando sobre os escritórios do IBGE e as ruas das grandes capitais, é: o que resta a um povo quando a promessa de um futuro melhor é substituída pela gestão eficiente da própria escassez? Talvez a resposta resida na urgência de romper esse ciclo antes que a precariedade deixe de ser uma crise e se torne a única definição possível de normalidade.

**Fontes Consultadas:**
* Agência de Notícias IBGE (Relatórios de Desigualdade e Rendimento).

Wanderson Dutch
Wanderson Dutch

Wanderson Dutch é escritor, dancarino, produtor de conteúdo digital desde 2015, formado em Letras pela Faculdade Capixaba do Espírito Santo (Multivix 2011-2014) e pós-graduado pela Faculdade União Cultural do estado de São Paulo (2015-2016). Vasta experiência internacional, já morou em Dublin(Irlanda), Portugal, é um espírito livre, já visitou mais de 15 países da Europa e atualmente mora em São Paulo. É coautor no livro: Versões do Perdão, autor do livro O Diário de Ayron e também de Breves Reflexões para não Desistir da Vida.

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