O caso do cão Orelha ganhou repercussão nacional a partir da segunda quinzena de janeiro de 2026, quando vídeos e relatos começaram a circular nas redes sociais denunciando maus-tratos ocorridos em um condomínio residencial em Santa Catarina. As imagens, que rapidamente provocaram indignação pública, mostram o animal em situação de sofrimento, supostamente provocado por adolescentes moradores do local. Desde então, o episódio passou a ser acompanhado por organizações de proteção animal, advogados e veículos de comunicação independentes.
De acordo com informações divulgadas inicialmente em 18 de janeiro de 2026, o cão Orelha vivia nas dependências do condomínio e era cuidado informalmente por funcionários do prédio. O episódio teria ocorrido dias antes, mas só veio a público após o vazamento de um vídeo gravado por moradores. Nas imagens, que circulam em versões editadas, é possível identificar jovens envolvidos na agressão ao animal. Por se tratar de adolescentes, os nomes não foram oficialmente divulgados, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Um ponto central do caso é o papel do porteiro do condomínio, identificado apenas como o responsável pela denúncia formal às autoridades. Segundo relatos, foi ele quem comunicou o ocorrido à administração do prédio e posteriormente buscou auxílio externo, diante da ausência de providências internas. Após a denúncia, surgiram informações de que o trabalhador teria sido afastado de suas funções ou pressionado, situação que ainda carece de esclarecimento oficial por parte do condomínio e das empresas responsáveis pela gestão do local.

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No dia 20 de janeiro de 2026, protetores independentes registraram boletim de ocorrência por maus-tratos a animais, crime previsto no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais, com agravante quando há resultado de sofrimento intenso ou morte. Orelha chegou a receber atendimento veterinário, mas seu estado de saúde, segundo relatos divulgados nas redes, era delicado. Até o momento, não houve divulgação oficial completa do laudo veterinário, o que reforça as cobranças por transparência.
A Polícia Civil de Santa Catarina informou, em nota preliminar divulgada em 22 de janeiro, que instaurou procedimento para apurar os fatos. O inquérito corre sob sigilo parcial devido à idade dos envolvidos. No entanto, entidades de defesa dos direitos dos animais questionam a lentidão das apurações e cobram a divulgação de informações essenciais, como a dinâmica exata dos acontecimentos, o conteúdo integral dos vídeos e as medidas adotadas em relação aos responsáveis legais pelos adolescentes.
A pressão aumentou quando veio à tona a situação do porteiro denunciante. Sindicatos de trabalhadores e coletivos de direitos humanos passaram a exigir garantias de proteção ao funcionário, destacando que retaliações contra denunciantes configuram grave violação de direitos trabalhistas e civis. Até o final de janeiro, não houve posicionamento público claro do condomínio sobre o caso, o que alimentou ainda mais as críticas.
Diante desse cenário, movimentos sociais passaram a cobrar que o caso fosse abordado por veículos de grande alcance, como o programa Fantástico, da TV Globo. A reivindicação não se limita à exibição do episódio, mas inclui a apresentação dos fatos verificados, o esclarecimento sobre o andamento das investigações e a situação do trabalhador que denunciou. Para os manifestantes, a visibilidade nacional funciona como instrumento de controle social e pressão institucional.
O caso do cão Orelha expõe, mais uma vez, como episódios de violência podem ser atravessados por relações de poder, influência econômica e tentativas de silenciamento. Também reacende o debate sobre a efetividade das leis de proteção animal e sobre a segurança de quem decide denunciar abusos. Enquanto as respostas oficiais não são plenamente apresentadas, a sociedade segue cobrando informação, responsabilidade e justiça.
Justiça por Orelha