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CPMI do INSS vai colocar muito pastor na cadeia”, diz Damares Alves ao comentar investigação sobre o Banco Master

AI Brain

A senadora Damares Alves fez a declaração de que a CPMI do INSS “vai colocar muito pastor na cadeia” durante entrevista concedida ao SBT News na segunda semana de janeiro de 2026, quando comentava o avanço das investigações sobre o Banco Master e o esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. A fala ocorreu em um momento em que a comissão intensificava a análise de documentos financeiros, pedidos de quebra de sigilo e convocações de executivos, dirigentes de entidades associativas e intermediários envolvidos no mercado de crédito consignado. A senadora afirmou que o que está sendo revelado nos bastidores é mais grave do que o público imagina e que a dimensão do esquema ultrapassa bancos, alcançando igrejas, associações e estruturas que usavam linguagem religiosa para intermediar contratos e movimentações financeiras.

Senadora Damares Alves. 12/01/2026

Damares tem papel central na CPMI desde sua criação. Ela foi uma das parlamentares que mais pressionaram pela instalação da comissão e, desde então, tem apresentado requerimentos para convocação de envolvidos e acesso a informações protegidas por sigilo. Entre suas iniciativas estão os pedidos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático de dirigentes ligados ao Banco Master e de entidades suspeitas de operar como ponte entre aposentados e o sistema financeiro. A senadora também tem criticado publicamente a resistência de setores do mercado e de órgãos institucionais em liberar documentos à CPMI, afirmando que há uma tentativa de desacelerar a investigação justamente porque ela começa a atingir estruturas sensíveis de poder econômico, político e religioso.

As investigações avançam em frentes paralelas. A CPMI analisa contratos de crédito consignado, rastreia fluxos de dinheiro, cruza dados entre bancos, associações e beneficiários do INSS e ouve testemunhas que relatam descontos não autorizados, fraudes documentais e práticas abusivas. Há ainda uma disputa institucional sobre o acesso a materiais que foram colocados sob sigilo por decisões judiciais, o que tem gerado tensão entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Apesar disso, a comissão segue aprovando requerimentos, convocando depoentes e ampliando o escopo da apuração para além de uma única instituição financeira.

A fala de Damares ganha peso justamente porque ocorre nesse contexto de ampliação do alcance da investigação.

A CPMI do INSS surgiu como mais um daqueles raros momentos em que a política brasileira é forçada a olhar para algo que normalmente fica escondido debaixo do tapete. Não se trata apenas de uma comissão para “investigar irregularidades”, essa expressão já tão gasta que perdeu força. Trata-se de uma tentativa institucional de lançar luz sobre um sistema inteiro que, durante anos, operou na fronteira entre o legal, o abusivo e o criminoso, explorando justamente quem tem menos poder de reação: aposentados, pensionistas, idosos, gente que depende de cada centavo do benefício para sobreviver.

O centro da investigação são os esquemas de descontos indevidos em benefícios do INSS, especialmente ligados ao crédito consignado. Na prática, milhares de pessoas passaram a ter valores descontados automaticamente de seus benefícios sem consentimento claro, sem informação adequada, sem entender sequer de onde aquilo vinha. Associações obscuras, intermediários agressivos, contratos assinados sob pressão, ligações insistentes, documentos mal explicados. Um ecossistema inteiro de extração de renda de quem já vive no limite. A CPMI nasce como resposta a esse quadro, depois que a Polícia Federal e outros órgãos começaram a mapear a dimensão do problema.

É nesse contexto que entra o nome do Banco Master e, com ele, o discurso explosivo da senadora Damares Alves ao afirmar que a CPMI “vai colocar muita gente na cadeia”. A frase, por si só, tem um quê de espetáculo político. Mas ela aponta para algo mais profundo: a percepção de que o que está sendo investigado não é um desvio pontual, e sim um arranjo estrutural que envolve bancos, entidades, atravessadores, possíveis agentes públicos e um sistema de incentivos que transforma aposentadoria em ativo financeiro a ser sugado até o osso.

O foco sobre o Banco Master não significa que o problema seja exclusivo dessa instituição. Pelo contrário, a própria dinâmica da CPMI indica que o caso funciona como uma porta de entrada para algo maior. Quando se começa a quebrar sigilos, convocar executivos, analisar fluxos financeiros, o que aparece não é apenas uma empresa, mas redes, relações, contratos cruzados, vínculos políticos e econômicos que sustentam o funcionamento do esquema. É isso que torna a investigação tão sensível e, ao mesmo tempo, tão incômoda para setores poderosos.

A reação não tardou. Pressões de bastidores, tentativas de desacreditar a comissão, discursos de que se trata de “perseguição política”, alertas sobre riscos para o sistema financeiro. Tudo isso faz parte do ritual quando interesses grandes são tocados. O argumento da estabilidade do mercado costuma surgir sempre que se investiga algo que beneficia muito poucos e prejudica muitos. O curioso é que raramente se fala da instabilidade permanente na vida de quem perde parte da aposentadoria para um desconto que nunca pediu.

A CPMI não prende ninguém, isso é importante dizer. Ela investiga, convoca, produz relatórios, aponta responsabilidades. Quem pode prender é o Judiciário, a partir das provas reunidas. Quando Damares diz que “muita gente vai para a cadeia”, o que está em jogo é a aposta de que as evidências levantadas serão suficientemente graves para gerar processos criminais. Se isso vai acontecer ou não, depende do que for encontrado, de como isso será tratado institucionalmente e, claro, do quanto o sistema está disposto a ir até o fim.

O valor simbólico dessa CPMI é enorme. Ela toca numa ferida profunda da sociedade brasileira: a naturalização da exploração dos mais vulneráveis. Durante décadas, aposentados foram vistos como “bons clientes” porque têm renda fixa, previsível, garantida pelo Estado. Isso os transformou em alvo privilegiado de produtos financeiros agressivos, muitas vezes abusivos. A fronteira entre oferecer crédito e explorar fragilidade é fina, e no Brasil ela foi atravessada com frequência.

Há também um elemento moral nesse debate. Quando se rouba de quem mal tem como se defender, o problema deixa de ser apenas jurídico e passa a ser civilizatório. Que tipo de sociedade aceita que idosos sejam enganados, pressionados, confundidos, para enriquecer intermediários e alimentar lucros bancários? Que tipo de pacto social permite que isso aconteça sem grande escândalo por tanto tempo?

A CPMI do INSS, com todas as suas limitações e contradições, obriga esse debate a vir à tona. Ela expõe as engrenagens de um sistema que opera na sombra e coloca nomes, rostos e números onde antes havia apenas silêncio. Se ela vai resultar em prisões ou não, ainda é cedo para afirmar. Mas o simples fato de ela existir já quebra um padrão de invisibilidade.

Talvez o maior efeito dessa investigação não seja apenas jurídico, mas político e cultural. Mostrar que aposentadoria não é mercadoria. Mostrar que velhice não é oportunidade de negócio predatório. Mostrar que há limites, mesmo num sistema movido a lucro. Se a CPMI conseguir produzir esse deslocamento, ela já terá feito mais do que muitas leis e discursos juntos.

O que está em jogo, no fundo, não é só quem vai para a cadeia. É quem vai continuar sendo explorado se nada mudar. E essa é a pergunta que deveria incomodar muito mais gente do que incomoda hoje.

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Wanderson Dutch
Wanderson Dutch

Wanderson Dutch é escritor, dancarino, produtor de conteúdo digital desde 2015, formado em Letras pela Faculdade Capixaba do Espírito Santo (Multivix 2011-2014) e pós-graduado pela Faculdade União Cultural do estado de São Paulo (2015-2016). Vasta experiência internacional, já morou em Dublin(Irlanda), Portugal, é um espírito livre, já visitou mais de 15 países da Europa e atualmente mora em São Paulo. É coautor no livro: Versões do Perdão, autor do livro O Diário de Ayron e também de Breves Reflexões para não Desistir da Vida.

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