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Este filme revela a prisão que você chama de mundo.

AI Brain

Em um mundo saturado por imagens, mensagens e promessas, a linha entre realidade e ilusão torna-se cada vez mais tênue. Imagine, por um momento, que tudo o que você vê e ouve é meticulosamente manipulado para manter você submisso, consumista e conformado. Essa é a premissa instigante de um clássico do cinema que, embora lançado em 1988, ressoa com uma atualidade perturbadora.

O filme nos apresenta a John Nada, um trabalhador braçal que, ao encontrar um par de óculos escuros especiais, descobre uma verdade chocante: a sociedade está sendo controlada por alienígenas disfarçados de humanos, que utilizam mensagens subliminares para manipular as massas. Frases como “Obedeça”, “Consuma” e “Não Questione” estão ocultas em anúncios e meios de comunicação, revelando uma crítica mordaz ao consumismo desenfreado e à alienação social.

A narrativa, embora simples em sua superfície, é carregada de simbolismos e metáforas que desafiam o espectador a questionar as estruturas de poder e a influência da mídia em nossas vidas. Através de uma estética que mistura ficção científica e ação, o filme convida à reflexão sobre a liberdade, a consciência e a resistência.

Dirigido por John Carpenter, o longa é uma adaptação do conto “Eight O’Clock in the Morning” de Ray Nelson. Carpenter, conhecido por suas obras que exploram o terror e a ficção científica, utiliza este filme como uma plataforma para expressar sua insatisfação com as políticas econômicas da era Reagan e a crescente comercialização da cultura popular.

“Eles Vivem” é mais do que um filme de ficção científica; é uma crítica social disfarçada de entretenimento. A escolha de Carpenter por um protagonista comum, interpretado por Roddy Piper, reforça a ideia de que qualquer pessoa, ao abrir os olhos para a realidade, pode perceber as engrenagens ocultas que movem a sociedade.

A presença dos alienígenas como elite dominante é uma metáfora clara para as classes privilegiadas que controlam os meios de produção e comunicação. Esses seres, ao se disfarçarem de humanos, simbolizam a camuflagem das verdadeiras intenções por trás das aparências e discursos políticos.

A luta de John Nada para despertar os outros para a verdade é árdua e, muitas vezes, infrutífera. A resistência encontra barreiras não apenas externas, mas internas, evidenciando como a alienação e o conformismo estão enraizados na psique coletiva. A famosa cena de luta entre Nada e seu amigo Frank, que se recusa a usar os óculos, ilustra a dificuldade de romper com as crenças estabelecidas e aceitar uma nova realidade.

A estética do filme, com seus efeitos especiais datados e cenários urbanos decadentes, contribui para a atmosfera de desilusão e crítica. A trilha sonora, composta por Carpenter, reforça o clima de tensão e urgência, conduzindo o espectador por uma jornada de descoberta e questionamento.

Relevância Atual

Apesar de ter sido lançado há mais de três décadas, “Eles Vivem” mantém sua relevância ao abordar temas que continuam presentes na sociedade contemporânea. A manipulação midiática, o consumismo exacerbado e a concentração de poder nas mãos de poucos são questões que ainda permeiam nosso cotidiano.

Em tempos de fake news, algoritmos que moldam opiniões e uma constante exposição a estímulos visuais, o filme serve como um alerta para a necessidade de pensamento crítico e vigilância.

A metáfora dos óculos escuros é um convite à reflexão: o que estamos deixando de ver?

A maior prisão não tem muros, nem grades — ela mora na mente. Desde cedo, somos condicionados a obedecer, consumir, competir, repetir padrões que sequer escolhemos. A programação é sutil: está nas escolas, nos filmes, nas religiões, nas promessas do sucesso e até na forma como sentimos culpa por descansar. A mente, moldada pelo externo, passa a acreditar que esse sistema é tudo o que existe. E quanto mais aceitamos esse roteiro como verdade absoluta, mais nos afastamos da nossa real potência. A prisão mental não precisa de guardas — basta repetir o script todos os dias e chamar isso de vida.

Mas existe uma saída, e ela começa com o despertar. O verdadeiro poder humano não está em reagir ao que nos acontece, mas em reprogramar o que pensamos ser. O subconsciente — esse território profundo que comanda mais de 90% das nossas ações — pode ser reescrito. Quando tomamos consciência disso, deixamos de ser personagens e voltamos a ser os autores da história. Repetindo novas ideias, visualizando novas possibilidades, trocando crenças antigas por outras mais expansivas, somos capazes de alterar nossa frequência e criar uma nova realidade. Essa é a revolução mais silenciosa e mais poderosa que existe: a que acontece dentro de nós.

A obra também influenciou diversas manifestações artísticas e culturais, como o trabalho do artista Shepard Fairey, conhecido por sua campanha “Obey”, que se apropria das mensagens subliminares do filme para criticar a cultura de massa e o autoritarismo.

“Eles Vivem” é uma obra que transcende seu gênero, oferecendo uma crítica contundente às estruturas de poder e à manipulação social. Ao combinar elementos de ação, ficção científica e sátira política, John Carpenter cria um filme que entretém e provoca, desafiando o espectador a questionar a realidade que o cerca.

Em um mundo onde as aparências muitas vezes ocultam intenções obscuras, a mensagem do filme permanece clara: é preciso abrir os olhos, questionar e resistir.

Wanderson Dutch
Wanderson Dutch

Wanderson Dutch é escritor, dancarino, produtor de conteúdo digital desde 2015, formado em Letras pela Faculdade Capixaba do Espírito Santo (Multivix 2011-2014) e pós-graduado pela Faculdade União Cultural do estado de São Paulo (2015-2016). Vasta experiência internacional, já morou em Dublin(Irlanda), Portugal, é um espírito livre, já visitou mais de 15 países da Europa e atualmente mora em São Paulo. É coautor no livro: Versões do Perdão, autor do livro O Diário de Ayron e também de Breves Reflexões para não Desistir da Vida.

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