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Guilherme Boulos é derrotado nas urnas por Ricardo Nunes.

AI Brain

Os líderes progressistas precisam se reinventar ou continuarão perdendo eleições para o extremismo e o fanatismo religioso

O avanço de setores extremistas tem se tornado uma realidade preocupante em diversas partes do mundo, com impactos profundos na política, na cultura e na sociedade como um todo. Em lugares como a Europa e os Estados Unidos, temos observado uma onda de lideranças populistas que empregam uma retórica polarizadora, frequentemente pautada em discursos contra minorias e instituições democráticas. No Brasil, a situação é especialmente evidente, particularmente em São Paulo, onde a recente eleição de Ricardo Nunes em 2024 contra Guilherme Boulos marca mais um triunfo do bolsonarismo e evidencia o peso ainda significativo da influência de Jair Bolsonaro na política nacional.

Com 80% das urnas apuradas, Nunes já contava com quase três milhões de votos, uma margem que solidificou o retorno da direita extremista ao poder na maior cidade do país. Essa vitória representa mais do que uma simples disputa eleitoral: é um sinal de que a extrema direita, apoiada por discursos nacionalistas, religiosos e anti-progressistas, conseguiu estabelecer um vínculo emocional com parte expressiva do eleitorado. A conexão com o público não se limita ao debate político; envolve, principalmente, a manipulação das massas através de elementos culturais e religiosos profundamente enraizados, que ampliam o alcance e o poder de persuasão dessas lideranças.

Como a extrema direita manipula massas e promove o fanatismo religioso

A extrema direita tem se mostrado hábil em manipular emoções e símbolos religiosos para conquistar apoio popular. Em várias campanhas, líderes extremistas associam suas pautas conservadoras a princípios religiosos, criando uma falsa equivalência entre a defesa da fé e a manutenção de valores que, segundo eles, estariam em risco. Essa retórica apela ao medo e à insegurança, fazendo com que parcelas da população vejam no extremismo uma forma de proteger aquilo que consideram sagrado.

1.Discursos Apocalípticos e de Salvação: Os líderes extremistas costumam adotar uma narrativa apocalíptica, afirmando que os valores da sociedade estão sob ataque por grupos “inimigos” – sejam eles imigrantes, minorias ou opositores políticos. Esse discurso ganha força quando combinado com elementos religiosos, sugerindo que somente eles podem “salvar” a sociedade de uma suposta decadência moral.

2.Aliança com Líderes Religiosos e Igrejas: Muitos políticos de extrema direita estabelecem parcerias estratégicas com líderes religiosos influentes. Em troca de apoio político, oferecem incentivos e privilégios para igrejas e grupos religiosos. Essa troca fortalece a sensação de pertencimento entre os fiéis, que veem suas crenças refletidas nos discursos e ações dos candidatos.

3.Fanatismo e Desinformação: Ao mesmo tempo, os extremistas usam as redes sociais e os meios de comunicação para espalhar desinformação e teorias da conspiração que alimentam o fanatismo. Informações distorcidas sobre adversários políticos, questões de gênero, direitos humanos e pluralismo religioso são propagadas de maneira calculada, fomentando a intolerância e o ódio contra quem pensa diferente.

4.Polarização e Ataques a Inimigos “Externos”: A tática de criar uma dicotomia entre “nós” (os bons) e “eles” (os maus) ajuda a unir os eleitores em torno de uma identidade comum, baseada no medo e na rejeição do diferente. Isso é frequentemente intensificado com a retórica religiosa, colocando a política em termos de uma batalha entre o bem e o mal.

O que os líderes progressistas precisam fazer?

Diante desse contexto, os líderes progressistas precisam reinventar suas estratégias e resgatar a conexão com a base popular para não se tornarem irrelevantes frente ao crescimento do extremismo. Em primeiro lugar, devem investir em campanhas que promovam a empatia, a tolerância e o respeito às diferenças, valores que contrastam diretamente com o discurso do ódio e da divisão.

Além disso, é essencial que desenvolvam uma presença mais forte nas comunidades religiosas, oferecendo uma alternativa ao discurso extremista, que muitas vezes toma conta desses espaços. Em vez de simplesmente rejeitar o papel da religião na sociedade, os progressistas podem trabalhar em parceria com líderes religiosos que promovam uma visão inclusiva e solidária, mostrando que valores religiosos e valores progressistas não são necessariamente opostos.

Por fim, é necessário um esforço contínuo para combater a desinformação, promovendo a educação e o senso crítico. Isso inclui desde campanhas de esclarecimento sobre fake news até a criação de espaços para o diálogo e a construção de uma sociedade mais informada e resiliente. Somente com uma abordagem criativa e próxima ao povo, os líderes progressistas terão chances de reverter o avanço do extremismo e garantir que as próximas eleições representem uma sociedade verdadeiramente democrática e plural.

Wanderson Dutch
Wanderson Dutch

Wanderson Dutch é escritor, dancarino, produtor de conteúdo digital desde 2015, formado em Letras pela Faculdade Capixaba do Espírito Santo (Multivix 2011-2014) e pós-graduado pela Faculdade União Cultural do estado de São Paulo (2015-2016). Vasta experiência internacional, já morou em Dublin(Irlanda), Portugal, é um espírito livre, já visitou mais de 15 países da Europa e atualmente mora em São Paulo. É coautor no livro: Versões do Perdão, autor do livro O Diário de Ayron e também de Breves Reflexões para não Desistir da Vida.

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