7 técnicas japonesas para você superar a preguiça e a procrastinação

Quem nunca sentiu aquela vontade de ficar jogado no sofá mesmo com muitas tarefas importantes para se fazer? Eu mesmo passo por isso, pois imagina só: eu dou conta de absolutamente tudo no que eu faço — seja produzir conteúdos aqui no meu site, no Instagram, no TikTok — pois neste momento minha equipe de apoio à produção de conteúdo ainda está em formação. Enquanto esse quadro não se completa, preciso arcar com meus compromissos. Ser chefe de você mesmo tem suas muitas vantagens e, claro, desafios diários também. A procrastinação é realmente um problema sério para muitas pessoas, e se tem um povo do qual a gente pode aprender muito sobre isso, são os japoneses.

A cultura japonesa é reconhecida mundialmente por sua disciplina, consistência e profundo senso de responsabilidade pessoal. Isso não é uma coincidência histórica. Desde a infância, os japoneses são incentivados a cultivar valores como paciência, respeito ao tempo, atenção aos detalhes e foco no coletivo. Essas características não são vistas como imposições externas, mas como virtudes internas, construídas com base em rituais e práticas cotidianas que moldam o comportamento ao longo da vida.

Enquanto no Ocidente somos condicionados a buscar resultados imediatos e a depender de picos de motivação, no Japão a constância silenciosa é mais valorizada do que o esforço explosivo. Eles entendem que os grandes feitos nascem de ações pequenas feitas com regularidade. E é exatamente isso que torna suas técnicas tão eficazes contra a preguiça e a procrastinação: elas respeitam o tempo real das transformações.

Neste texto, você vai conhecer 7 técnicas japonesas que podem te ajudar a destravar sua rotina, recuperar o foco e dar mais leveza aos seus processos diários. Não se trata de fórmulas mágicas, mas de práticas ancestrais que, com constância, transformam a maneira como você lida com o tempo, com suas tarefas e com sua própria mente.

1. kaizen – melhore 1% a cada dia, sem pressa, sem pausa

Kaizen é uma filosofia de melhoria contínua. Em vez de grandes revoluções, ele propõe pequenos ajustes feitos todos os dias. A ideia é simples: se você melhora apenas 1% a cada dia, em um ano terá evoluído muito mais do que quem tenta mudar tudo de uma vez. Aplicar isso na prática pode ser tão simples quanto criar o hábito de levantar da cama no horário certo ou escrever por cinco minutos todos os dias. O poder do Kaizen está na soma silenciosa de pequenas vitórias.

2. shinrin-yoku – banho de floresta, limpeza da mente

Shinrin-Yoku significa literalmente “banho de floresta”, mas não se trata apenas de caminhar entre árvores — é uma prática de presença total na natureza. Ao se desconectar do excesso de estímulos digitais e mergulhar na serenidade do ambiente natural, sua mente se recalibra. A ciência já comprova que estar na natureza reduz o estresse, aumenta a energia e até melhora a concentração. Mesmo que você more em um centro urbano, encontre pequenos refúgios: um parque, uma praça, até um jardim. A natureza é um remédio silencioso contra a estagnação mental.

3. shoshin – volte a ser iniciante, mesmo sendo mestre

Shoshin é a “mente do principiante”. É o oposto da arrogância que nos faz achar que já sabemos tudo. Quando estamos presos à ideia de que “já conhecemos”, perdemos a curiosidade, o entusiasmo e a humildade de aprender. E é justamente aí que a preguiça se instala. Cultivar Shoshin é lembrar-se de que toda tarefa pode ser nova se você olhar com olhos frescos. É recomeçar com leveza, abandonar o ego e redescobrir o prazer de fazer o básico bem feito.

4. hara hachi bu – energia vem da leveza, não do excesso

Esse princípio é simples, mas transformador: pare de comer quando estiver 80% satisfeito. Os japoneses aplicam o Hara Hachi Bu para manter a vitalidade e evitar o cansaço que vem da digestão pesada. Comer em excesso deixa o corpo lento, a mente turva e a energia comprometida. Ao aplicar esse princípio, você cria uma relação mais inteligente com a comida — e isso impacta diretamente na disposição com que encara o seu dia. Coma com presença, e seu corpo vai responder com leveza.

5. wabi-sabi – a beleza está no imperfeito, no inacabado

O perfeccionismo é um dos maiores gatilhos da procrastinação. “Se não for para fazer perfeito, nem começo” — essa ideia paralisa. O conceito Wabi-Sabi ensina que há beleza nas falhas, nas marcas do tempo, no que não está completo. Ao aceitar que o imperfeito também é valioso, você começa a agir sem medo. Você se dá permissão para errar, testar, refazer. E isso é libertador. Comece mesmo com dúvidas. Comece mesmo sem controle total. O movimento é mais importante do que a perfeição.

6. ikigai – encontre seu motivo para levantar da cama

Ikigai é a razão de viver. No Japão, acredita-se que quem encontra seu Ikigai vive mais e melhor. Ele está na interseção entre quatro pontos: o que você ama, no que você é bom, o que o mundo precisa e pelo que você pode ser pago. Quando você encontra esse ponto de equilíbrio, as tarefas do dia deixam de ser obrigações e passam a ser expressões do seu propósito. Isso reduz drasticamente a procrastinação, pois tudo começa a fazer sentido.

7. nemawashi – prepare o ambiente, e o corpo seguirá

Nemawashi é o ato de preparar o terreno antes de plantar. Na vida, isso significa organizar mentalmente e fisicamente antes de executar. Arrumar sua mesa, escrever uma lista, definir o horário de começar uma tarefa… tudo isso é Nemawashi. O erro comum é querer começar “do nada”, sem preparar o espaço interno e externo. Mas quando o ambiente está pronto, a mente responde. E o corpo também. A disciplina começa no entorno.

Os japoneses não são sobrecarregados, eles são estratégicos

Os japoneses não são sobre-humanos — eles apenas desenvolveram sistemas simples e eficazes para lidar com os mesmos desafios que todos enfrentamos. Preguiça, desânimo, confusão mental: tudo isso pode ser transformado com hábitos bem escolhidos. Escolha uma dessas técnicas. Comece hoje. E lembre-se: não é sobre fazer tudo de uma vez, mas sobre caminhar com intenção. Um dia de cada vez. Com foco, leveza e presença.

Wanderson Dutch

Wanderson Dutch

Wanderson Dutch é escritor, dancarino, produtor de conteúdo digital desde 2015, formado em Letras pela Faculdade Capixaba do Espírito Santo (Multivix 2011-2014) e pós-graduado pela Faculdade União Cultural do estado de São Paulo (2015-2016).
Vasta experiência internacional, já morou em Dublin(Irlanda), Portugal, é um espírito livre, já visitou mais de 15 países da Europa e atualmente mora em São Paulo.
É coautor no livro: Versões do Perdão, autor do livro O Diário de Ayron e também de Breves Reflexões para não Desistir da Vida.

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